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Meta (Pseudônimo de Mari Carmen Hernández),
Meta (Pseudônimo de Mari Carmen Hernández), "Auto-Retrato Verde", 1994, doação, Mari Carmem Hernández (Meta) (a artista), 1996, acervo MASP
Sobre o curso A historiografia da arte recente vem questionando como proceder a crítica dos cânones artísticos e da normalidade das narrativas cujos preconceitos implícitos – a precedência dos centros artísticos, as noções de genialidade e originalidade e tantas outras - não cansam de nos desafiar. Desde o texto fundamental de Linda Nochlin, Por que não houve grandes mulheres artistas?, de 1971, a crítica feminista tem contribuído para essa revisão, não somente investigando artistas mulheres negligenciadas ou obscurecidas pelos discursos hegemônicos, mas principalmente expondo como as assimetrias entre os sexos e suas representações constituem relações de poder que atuam nas formas de produção e recepção das obras de arte.

Afinado ao programa Histórias da sexualidade, o curso de férias propõe uma discussão de gênero e sexualidade a partir do acervo do Masp. Analisando um acervo constituído duplamente por obras que dialogam com os cânones, gêneros e escolas da narrativa da arte ocidental, mas que também pretendia a relativização desses pressupostos na medida em que reordenava de uma perspectiva moderna e desierarquizada a apresentação das obras que o constituiu, o curso procurará discutir essa narrativa apresentando alguns dos critérios sobre os quais ela se assenta, debatendo seus limites, a fim de propor caminhos para sua revisão.
Planos de aulas (clique para mostrar/ocultar)
Aula 1 . 4.7.2017
Atribuições do feminino: madonas e outras encarnações
A aula vai investigar algumas das atribuições frequentemente associadas à figura da mulher ou do feminino ao longo da história da arte. A importância dada a partir do final da Idade Média à Caridade faz surgir uma longa série de representações da Virgem Maria com o Menino Jesus, em que se apresentam os atributos relacionados a essa virtude cristã: amor terno, sacrifício, doação, cuidado e proteção. Também desde a antiguidade clássica a figura feminina foi tomada como encarnação de atributos representando diversos ideais e anseios, através de alegorias da Liberdade, da Justiça, da Prudência, da Beleza e tantas outras. Tais personificações serão examinadas e discutidas, visando debater as tensões entre os papéis históricos, sociais e simbólicos do feminino a partir das seguintes obras do acervo do Masp: Virgem com o Menino e São João Batista criança, Piero di Cosimo, Virgem com o Menino, São João Batista criança e um anjo, Giovanni Bellini, Madona Willys, Gianpetrino, A Virgem amamentando o Menino e São João Batista em oração; Agnaldo Manoel dos Santos, Figura com criança; Jean Marc Nattier, Os quatro elementos; Rodin, A Meditação e a Eterna Primavera.

Aula 2. 5.7.2017
Para o deleite do olhar? os nus e a violência sobre o corpo da mulher
A aula vai debater a proeminência do corpo feminino nu na história da arte ocidental. O corpo nu feminino foi diversas vezes representado como encarnação da vitalidade, pureza, beleza, como forma de representar emoções ou valores. A exposição do corpo feminino, entretanto, no mais das vezes pressupôs um observador, que longe de ser neutro ou universal, constituía-se majoritariamente por indivíduos identificados com o gênero masculino. Há assim, uma predominância do olhar masculino sobre o nu feminino na história da arte que pode ser debatida, que se torna mais aguda quando se percebe a normalização de cenas de raptos, violações e outras violências, frequentemente representadas por nus - perpetradas contra o corpo feminino objetificado pela arte. Nesta aula, serão discutidas as obras: Carlos Saraceni, Marte e Venus com uma roda de cupidos e paisagens; Jean Clouet, O banho de Diana; Delacroix, As quatro estações de Hartman; Edouard Manet, Banhistas no Sena; Pierre Auguste Renoir, A banhista e o cão Griffon; André Lhote, Interior com figuras femininas; Victor Meirelles, Moema.

Aula 3. 6.7.2017
O masculino e o viril: entre opulência e circunspecção
A virilidade como atributo masculino expressa-se de formas diferentes ao longo da história da arte ocidental, embaralhando as noções de heteronormatividade predominantes em determinada época. Uma postura, vestimenta ou atitude que associada ao viril ou ao heteronormativo em um determinado contexto, por exemplo, pode não representar o mesmo em outro. Nessa aula, exploraremos as tensões nas representações do masculino através de obras como: Peter Paul Rubens, O arquiduque Alberto VII da Áustria; Frans Hals, O Capitão Adrien Van Hoorn; George Romney, John Walter Tempest; Thomas Lawrence, Os filhos de Sir Samuel Fludyer O senhor Eugène Pertuiset, Caçador de Leões; Barbara Wagner, sem título, da série Brasília Teimosa, Ernesto de Fiori, O Brasileiro; Portinari, O lavrador de café.

Coordenação (clique para mostrar/ocultar)
Fernanda Pitta é historiadora da arte, curadora da Pinacoteca de São Paulo e professora de história da arte moderna e contemporânea na Escola da Cidade - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Doutora em Artes Visuais pela ECA-USP, suas pesquisas têm como foco a arte no Brasil no entre séculos 19-20 em contexto transnacional; atua também no campo da crítica de arte contemporânea. Foi curadora, com Valéria Piccoli, da série de mostras Coleções em Diálogo: Museu Mariano Procópio e Pinacoteca de São Paulo (2014) e Coleções em Diálogo: Museu Paulista e Pinacoteca de São Paulo (2016). É curadora de uma exposição da produção da artista Ana Maria Tavares, inaugurada em novembro de 2016 na Pinacoteca de São Paulo.
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