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Detalhes das imagens: Paul Gauguin, <i>Pobre pescador</i>, 1896 e Autor desconhecido, <i>Exu</i>, séc. 20
Detalhes das imagens: Paul Gauguin, Pobre pescador, 1896 e Autor desconhecido, Exu, séc. 20
Sobre o curso O curso enfoca a cultura visual, em particular a produção artística, da segunda metade do século 19 aos dias atuais. A dinâmica das aulas articula história social e a especificidade da produção artística de cada período, colocando narrativas e categorias explicativas do que conhecemos como “moderno” e “contemporâneo” em confronto.

A estrutura curricular almeja criticar e desconstruir a grande história hegemônica e linear de matriz norte-americana e eurocêntrica. Não se trata, entretanto, apenas de substituir uma perspectiva historiográfica hegemônica por outra, mas de tentar compreender visões de mundo, e de arte, que se estabelecem por meio de micronarrativas.

Ao final do curso, o aluno será capaz de identificar e relacionar produções significativas em arte e cultura visual, de várias matrizes, nos períodos abordados; descrever características da arte moderna e contemporânea em seus diferentes contextos sócio-históricos; compreender a produção contemporânea a partir de seu projeto internacionalista articulado às diferentes abordagens críticas e identificar a importância da arte e da cultura visual no mundo globalizado.
Planos de aulas (clique para mostrar/ocultar)
BLOCO 1 – O século 19 em pauta

08/3. Aula 1.
Conferência com Lilia Moritz Schwarcz
Apresentação do curso e conferência de abertura: A iconografia da escravidão.

15/3. Aula 2.
Moderno, modernismo e modernidade: algumas definições
Algumas questões sobre histórias e historiografias em arte a partir da conferência inaugural A iconografia da escravidão. Século 19 em pauta: as revoluções industriais e o contexto imperialista. A importância das Exposições Universais como modelo para disseminação de modos de vida. A nova ordem industrial europeia e as configurações urbanas. Novos mercados, matérias-primas e tecnologias. A produção de imagens em massa. As definições de moderno, modernismo e modernidade. A produção pictórica.
Visita na coleção do MASP: Courbet e Manet. Contexto expositivo: como visitar uma exposição? O que propõem os cavaletes de Lina Bo Bardi para o MASP?

22/3. Aula 3.
A transformação do papel social do artista no mundo industrial
Circuito artístico: quem é e o que faz o artista no mundo capitalista industrial? Qual sua formação? A produção de Arts and Crafts, Art Nouveau e Art Déco. A invenção da fotografia e do cinema e a reinvenção da pintura: uma outra epistemologia. As práticas de representação e a recepção crítica. Análise de obras: examinando as características modernas do Impressionismo e do pós-impressionismo.
Visita na coleção do MASP: Gauguin e Van Gogh.

29/3. Aula 4.
África, uma introdução geopolítica: África ou Áfricas?
O papel da expressão visual nas diferentes culturas africanas e algumas de suas características. Relação África e Europa: antecedentes ao século 19. Algumas heranças culturais africanas na América do Norte, Sul e Caribe.

BLOCO 2 – Arte como ferramenta de propaganda e a contestação do modernismo

05/4. Aula 5.
Estetização do mundo e politização da arte: vanguardas históricas
O moderno e o novo. A educação do artista do século 20: Bauhaus e Vkhutemas. Algumas produções das vanguardas históricas. Estetização do mundo e politização da arte: o Nazismo e as exposições de Arte Degenerada. Crítica à progressão heroica dos movimentos e novas formas de representação. Duchamp e suas influências na produção artística contemporânea. Vanguardas latino-americanas e panorama crítico da produção modernista: Joaquín Torres-García e o debate sobre a formação, Xul Solar, Wifredo Lam, círculo mexicano (Posada, Diego Rivera, Frida Kahlo, Manuel Álvarez Bravo, Tina Modotti e outros).
Visita na coleção do MASP: Lasar Segall, Anita Malfatti e Vicente do Rego Monteiro.

12/4. Aula 6.
Conferência com Roberto Conduru
Conexões África e Brasil na produção artística das décadas de 1960 e 1970.

19/4. Aula 7.
Grandes guerras, a Guerra Fria e a Política da Boa Vizinhança: relações com a produção artística
Deslocamentos em geopolítica e a propaganda da abstração e do design. A valorização de parte da produção das vanguardas históricas: a Documenta de Kassel. O debate brasileiro: abstracionismo e figurativismo. Museus modernos no Brasil e na América Latina. Histórias da Bienal de São Paulo. Mulheres em circuito moderno: Lina Bo Bardi, entre outras, em debate. O papel da crítica na construção do formalismo. Museus modernos pelo mundo. Realismo soviético.
Visita na coleção do MASP: Flávio de Carvalho e Cândido Portinari.

26/4. Aula 8.
Os anos 1960 e 1970: práticas processuais, documentais, de protesto e consumo
América Latina em contexto ditatorial. Corpo, espaço, ideias e contexto como motor das práticas. Panorama de exposições paradigmáticas do período: museu como laboratório. O espólio das vanguardas históricas e a teoria da vanguarda. Situacionismo, Fluxus. Desmaterialização do objeto.

BLOCO 3 – Fim da História e as perspectivas pós-modernas

03/5. Aula 9.
Moderno e pós-moderno: multiculturalismos a partir do impacto da globalização
A fotografia e o museu contemporâneo. Crítica ao modernismo: contra a originalidade e autenticidade. Arte contemporânea e Duchamp. Práticas pós-modernas: citação e apropriação.
Visita na coleção do MASP: Exposições temporárias do MASP.

10/5. Aula 10.
Exposições, práticas artísticas e as políticas de identidade
Globalização: em discussão, a identidade. Exposições e práticas artísticas e as políticas de identidade: Bienal de Havana (1984) e Magiciens de la Terre (1989). As revisões historiográficas sobre as práticas artísticas. Museus em contexto global: experiências.

17/5. Aula 11.
Produção artística e o impacto das tecnologias
Visada sobre produção contemporânea: produções em vídeo, performance e ações. Impacto das tecnologias: computador e redes. Antecedentes: experiências cinéticas desde o futurismo europeu até a noção de arte generativa.

24/5. Aula 12.
Conferência com Renato Sztutman
Modos indígenas e modos contemporâneos – outros conceitos de criação

BLOCO 4 – Pós Colonialismo em debate

31/5. Aula 13.
Exposições paradigmáticas em contexto internacional
Novos agentes: curadores, artistas etc. Novas práticas: estudos sobre exposições e curadoria. Circuito artístico para além dos centros hegemônicos: São Paulo, Istambul, Lagos, Bogotá, Johannesburgo. Exposições paradigmáticas em contexto internacional: 24a e 27a Bienal de São Paulo, 31o Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP e Under the Same Sun: Art from Latin America Today (Guggenheim).

07/6. Aula 14.
A crítica aos modelos modernos de exibição e as possibilidades contemporâneas: arte e esfera pública
Bienais e bienalização. Museus modernos e museus contemporâneos. A crítica aos modelos modernos de exibição e as possibilidades contemporâneas. Arte e esfera pública. Ativismo em arte e design cooperativo: Superflex, What, How & for Whom/WHW, Chto Delat, entre outros.

14/6. Aula 15.
Revisões e sínteses: indicações para estudos e pesquisas
Revisão dos tópicos: revisão histórica e historiográfica de perspectivas pós-coloniais. Referências comentadas para futuros estudos.

21/6. Aula 16.
Conferência com Max Jorge Hinderer Cruz
Princípio Potosi: ideologia e pós-colonialismo.

Coordenação (clique para mostrar/ocultar)
Mirtes Marins de Oliveira é mestre e doutora em Educação: Política, Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Desde 2012, é docente e pesquisadora da pós-graduação (mestrado e doutorado) em Design na Universidade Anhembi Morumbi. Idealizou e coordenou o curso de mestrado em Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina (2004-2013) e foi co-editora, com Lisette Lagnado, da revista marcelina (2008-2013). Foi curadora da exposição Contra o estado das coisas - anos 1970, na Galeria Jaqueline Martins (2014). Também com Lisette Lagnado, coordenou o curso Curadoria - histórias das exposições, na Escola São Paulo (2013 e 2014). Ministrou o curso Estratégias curatoriais - textos e práticas, no Paço das Artes (2014); Juntamente com Ana Maria Maia, ministrou o curso Estudos das exposições: uma introdução a partir do Brasil de 1950-70 no SESC-Consolação e, o curso Estudos das exposições no SESC-Centro de Pesquisa e Formação (ambos em 2015). É uma das autoras do livro Cultural Anthropophagy: The 24th Bienal de São Paulo 1998 (coleção Exhibition Histories, Afterall, 2015).
Conferencistas (clique para mostrar/ocultar)
Lilia Moritz Schwarcz é antropóloga, curadora, escritora e professora do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP). Lecionou nas universidades de Oxford, Leiden, Brown, Columbia e Princeton. Publicou As barbas do Imperador – D. Pedro II, um monarca nos trópicos (Cia. das Letras, 1998) e Brasil: Uma biografia (Cia. das Letras), lançado recentemente. Foi curadora das mostras: A longa viagem da biblioteca dos reis (Biblioteca Nacional, 2003-4). A fotografia: Um olhar sobre o Brasil, com Boris Kossoy (Instituto Tomie Ohtake, 2012) e Histórias mestiças, com Adriano Pedrosa (Instituto Tomie Ohtake, 2014).

Max Jorge Hinderer Cruz é escritor, crítico cultural e curador e membro fundador do Seminário Público Micropolíticas em São Paulo. De 2008-2011 foi curador do projeto Principio Potosí (com Alice Creischer e Andreas Siekmann, apresentado no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia (MNCARS, Madri), Haus der Kulturen der Walt (HKW, Berlim) e Museo Nacional de Arte/ Museo Nacional de Etnografia y Folklore (MNA/MUSEF, La Paz). É autor do livro Hélio Oiticica e Neville D’Almeida: Cosmococa (Azougue / Capacete Rio de Janeiro, 2014 – em coautoria com Sabeth Buchmann); e editou livros como Art and the Critique of Ideology After 1989 (KUB Bregenz / Koenig Books, 2014) e o catálogo de exposição Hélio Oiticica. The Great Labyrinth (MMK Frankfurt / Hatje Cantz, 2013). Desde 2014 integra o núcleo coordenador do Programa de Ações Culturais Autônomas (P.A.C.A.) de São Paulo (com Amilcar Packer, Suely Rolnik e Tatiana Roque).

Renato Sztutman é professor do departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP), mestre (2000) e doutor (2005) em Antropologia Social pela USP, área de etnologia indígena. É pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios (CEstA) e do Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA). Foi um dos fundadores e coeditou, entre 1997 e 2007, a revista Sexta-Feira. Suas áreas de atuação são etnologia e história indígena (com foco no problema das cosmopolíticas ameríndias), teoria antropológica e antropologia & cinema.

Roberto Conduru é historiador da arte, professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Co-organizou Carl Einstein e a Arte da África (EdUERJ, 2015; com Elena O’Neill) e publicou Frida Baranek (Barléu, 2014), Pérolas Negras – Primeiros Fios (UERJ, 2013), Paulo Pasta (Barléu, 2013), Coleção Gilberto Chateaubriand, 1920 -1950 (Barléu, 2011), Jorge Guinle (Barléu, 2009), Arte Afro-Brasileira (C/Art, 2007) e Willys de Castro (CosacNaify, 2005). Foi curador de África Aqui Agora (Sesc Quitandinha, Petrópolis, 2015); Vontade Construtiva na Coleção Fadel (MAR, Rio de Janeiro, 2013; com Paulo Herkenhoff), Incorporation – Contemporary Afro-Brazilian Art (Centrale for Contemporary Art, Bruxelas, 2011), Perles de Liberté – Bijoux Afro-Brésiliens (Le Grand-Hornu, Hornu, 2011; com Françoise Foulon), Senhores da Terra (Galeria Mestre Vitalino, Rio de Janeiro, 2011).
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