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Redandá, 2012, Orukwe/Felipe Torres
Redandá, 2012, Orukwe/Felipe Torres
Sobre o curso Axó é uma palavra de origem iorubá que ajuda a pensar as vestimentas usadas nos terreiros de candomblé como sendo de diversas origens. O curso propõe uma reflexão sobre os estudos das indumentárias usadas nos terreiros de candomblé de São Paulo e a correlação entre o corpo e o sagrado, relacionando africanidades e estéticas negras. Ao elencar a dimensão estética – que pode abarcar essas diversas manifestações de adornar a si e ao que se é devoto –as vestimentas, assim como como os adornos corporais, excedem a função de cobrir o corpo excedendo também o sentido do belo, exercendo funções importantes que auxiliam a compreender a dimensão litúrgica e ritual, assim como as vivências e memórias de boa parte das comunidades candomblecistas no Brasil. Pensar essas relações estéticas é adentrar em memórias e histórias que foram tecidas por mãos e tecnologias negras, do fazer manual à reinvenção das texturas, habilidades de amarrações e laços, que se reinventam através das diásporas e das oralidades negras.
Planos de aulas (clique para mostrar/ocultar)
Aula 1 - 23/07
Que afro-memórias são essas?
O curso O axé nos axós é costurado através das histórias e memórias essencialmente negras que se manifestam nas vestimentas dos candomblés. Porém que histórias são essas? O primeiro encontro servirá para contar como a pesquisa que deu origem ao curso foi desenhada e como podemos contar essas afro-memórias.

Aula 2 - 24/07
Modos de negra, modas de branca – Conferência com Renata Bittencourt
A aula, que tem o título inspirado na pesquisa da historiadora da arte Renata Bittencourt, visa pensar a parte da história do negro no Brasil através da estética, abordando a perspectiva de que as vestimentas e joias, principalmente de mulheres negras africanas e brasileiras, tornaram-se “tecido” para a construção de ideias e novos jeitos de estar na sociedade escravista brasileira do século 19. Nesta aula serão observados aspectos da moda e dos modos femininos usando como elemento impulsionador a pintura Bahiana, de autor desconhecido e pertencente ao acervo do Museu Paulista.

Aula 3 - 25/07
Cartografias centro-africanas
Esta aula propõe um retorno aos estudos já publicados sobre culturas e religiosidades dos grupos linguísticos banto, origem principal dos primeiros povos africanos a aportar no Brasil ainda no século 16, relacionando a influência de tais povos com o que mais tarde virá a ser chamado de candomblé angola.

Aula 4 - 26/07
O axé nos axós
Uma memória que é transmitida continuamente através do corpo e da oralidade, dos saberes e fazeres manuais, é percebida constantemente em boa parte dos terreiros de candomblé do País, onde percebemos que a estrutura das vestimentas usadas atualmente se mantém semelhante às usadas por negros no século XIX. As relações temporais entre essas oralidades e estéticas de origem negra tornam-se linha e agulha desta aula.

Aula 5 - 27/07
A estética do cuidado
Através de memórias resgatadas, percebemos que estética e religião também caminham juntas. Notamos que o cuidar das vestimentas das divindades cultuadas nos terreiros, é considerado motivo de orgulho e sabedoria, exercido principalmente pelas mulheres da comunidade.
– Esta aula será realizada no Instituto Tomie Ohtake.

Coordenação (clique para mostrar/ocultar)
Hanayrá Negreiros é mestra em Ciência da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e graduada em Negócios da Moda pela Universidade Anhembi Morumbi. Tem como principais focos de estudo as estéticas afro-brasileiras e africanas através da indumentária, memórias coletivas e religiosidades. Foi bolsista pelo CNPq, é pesquisadora associada aos grupos de pesquisa Veredas: Imaginário Religioso Brasileiro e CECAFRO - Centro de Estudos Culturais Africanos e da Diáspora, ambos pela PUC-SP. Atualmente é assistente de curadoria no Red Bull Station.
Conferencistas (clique para mostrar/ocultar)
Renata Bittencourt é gestora cultural atuante nos âmbitos público e privado. Em sua experiência destacam-se sua posição atual como Diretora de Processos Museais no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), um curto período como Secretária da Cidadania e da Diversidade do Ministério da Cultura, quatro anos à frente do departamento de formação da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, e dez anos na gerência dos projetos nacionais de educação do Itaú Cultural. É historiadora da arte, tendo desenvolvido suas pesquisas de mestrado e doutorado sobre a representação do negro na pintura brasileira na Unicamp. Foi contemplada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte – APCA, e como Fulbright Fellow no Smithsonian Institution.
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